Archive for the 'Review de filmes' category

Planeta Terror: puro entretenimento trash

Sunday, June 3rd, 2007

Nota: 10,0

Vai encarar?

 

Se você gosta apenas de filmes conceituais, que venham acrescentar algo à sua vida, abomina filmes trash e detesta filmes inverossímeis, então fuja de Planeta Terror, primeira parte da homenagem às sessões duplas de “filmes B” dos anos 70, realizadas pelos loucos Tarantino (Kill Bill) e Rodriguez (A Balada do Pistoleiro, e diretor do segmento em questão), Grindhouse. Mas se por acaso você estiver no espectro inverso de tudo que foi dito na frase anterior e estiver em busca de puro entretenimento, se entregue ao filme trash mais histérico dos últimos tempos.

A história do filme é a seguinte: uma cidade no interior dos Estados Unidos foi infectada (na verdade, apenas algumas pessoas, mas o negócio começa a se espalhar) por um gás que transforma as pessoas em zumbis e o caso toma conta do local e é um verdadeiro salve-se quem puder. A trama então resolve centrar-se em um grupo de personagens pra lá interessantes: uma dançarina go-go (Rose McGowan) que gostaria de ser uma comediante e tem sua perna amputada por um zumbi (o que ela usa como muleta é demais), seu namorado amargurado (ele havia sido abandonado por ela no passado) lutador de kung-fu, uma anestesista (Marley Shelton) que acaba de se separar de seu marido (Josh Brolin) inescrupuloso (e que agora quer matá-la) e resolve fugir de casa com seu filho, um contrabandista que coleciona testículos (o Sayid de Lost, Naveen Andrews, voltando aos seus tempos da guarda republicana :P ), um comandante durão (Bruce Willis, mais Duro de Matar do que nunca) que já matou Bin Laden e Quentin Tarantino na pele de um militar boca-suja.

Para aumentar ainda mais a imersão no clima “sessão podreira”, Rodriguez inseriu ranhuras por toda a projeção e sujeira no áudio (aqueles estalos típicos do vinil) para dar uma impressão de que realmente se está assistindo a um filme antigo. Alguns trechos da película (não sei por que estou falando película, pois o filme foi todo rodado com câmeras digitais) são simplesmente substituídos pelo aviso “Rolo Perdido”. E nem precisava tudo isso, pois todo o exagero (se você achou A Balada do Pistoleiro muito exagerado da parte de Rodriguez, espere até ver Planeta Terror) e diálogos clichês, cheios de efeito (“Esse garoto tem o demônio no corpo” diz um personagem em certo momento do filme), característicos dos trashs setentistas estão presentes por toda a projeção.

Como disse no início do texto, Planeta Terror não tem o intuito de te fazer pensar, não possui uma história cheia de reviravoltas e provavelmente não vai acrescentar nada em sua vida, mas se estiver disposto a entrar no clima criado pelo diretor, então prepare a pipoca (e o estômago) e divirta-se até o último segundo (literalmente).

PLANET TERROR, EUA, 2007. DE ROBERT RODRIGUEZ. COM FREDDY RODRIGUEZ, ROSE MCGOWAN, MARLEY SHELTON, MICHAEL BIEHN, BRUCE WILLIS, JOSH BROLIN, NAVEEN ANDREWS E QUENTIN TARANTINO.

Rocky Balboa: contra tudo e contra todos

Tuesday, May 29th, 2007

nota: 8,5

Adriaaaaaannn…

Dezesseis anos se passaram desde (o fiasco) Rocky V e eis que Sylverter “Sly” Stallone (Rambo) resolve tirar o “Touro Italiano” do baú para mais um embate. Por mais incrível que pareça, contra tudo e contra todos, Sly mostrou que, assim como seu personagem, ainda tem algo a acrescentar e nos apresenta um filme nostálgico e, por que não, empolgante.

O filme começa mostrando o novo campeão mundial dos pesos pesados, Mason “The Line” Dixon, derrubando mais um adversário e recebendo as vaias do público que pede um oponente de verdade (algo visto na carreira de Mike Tyson quando saiu da prisão). Em seguida somos levados à atual vida de Rocky Balboa (Stallone), que agora tem um restaurante onde conta suas histórias aos clientes/fãs, e de cara vemos que sua amada Adrian está morta. Mais tarde vemos que a relação com seu filho também não é das melhores, pois esse é obrigado a viver à sombra do pai famoso.

Stallone acerta ao dedicar a primeira metade do filme para apresentar a atual condição de Rocky e mostrar seu estado físico e psicológico. Ele inclusive usa a seu favor a incredulidade de todos quanto a produção do filme e a insere na história do personagem. Afinal de contas ninguém acredita que um lutador aposentado a mais de quinze anos pode retornar a ativa e enfrentar o atual campeão peso pesado.

É óbvio que o filme não é perfeito. Ele poderia utilizar um pouco da primeira metade do filme para desenvolver melhor a relação entre Rocky e seu filho e dar mais profundidade no seu relacionamento com a garçonete Marie (Geraldine Hughes) ao invés de se ater apenas ao personagem principal, pois afinal de contas nós já conhecemos o caráter de Rocky.

O saldo final é positivo, pois a série, tão cultuada no passado, merecia um melhor desfecho que o pavoroso Rocky V. Com um final fugindo do clichê e a boa e velha cena do treinamento – com Rocky dando a sua última subida às escadas – embalada com a empolgante música tema, Rocky Balboa funciona, não só como um bom desfecho, mas também como uma bela homenagem à saga do “Touro Italiano”.
ROCKY BALBOA, EUA, 2006. DE SYLVESTER STALLONE. COM SYLVESTER STALLONE, BURT YOUNG, ANTONIO TARVER, GERALDINE HUGHES, MILO VENTIMIGLIA, TONY BURTON, JAMES FRANCIS KELLY III, PEDRO LOVELL.

Piratas do Caribe 3: Quase um naufrágio no fim do mundo

Sunday, May 27th, 2007

nota: 6,5

Piratas quase naufragando

Gore Verbinski parece ter esquecido a fórmula mágica responsável por fazer de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra o sucesso que possibilitou a trilogia caribenha. Faltou humildade, ou melhor, faltou o primordial: simplicidade. Com excelentes e exagerados efeitos especiais, o diretor tentou disfarçar a confusa trama megalomaníaca criada para a terceira (e espero, apesar de não acreditar, que seja a última) parte da aventura de Jack Sparrow (Johnny Depp já sem o mesmo frescor) e companhia.

Enquanto o primeiro tinha uma trama simples, bem elaborada e amarrada, No Fim do Mundo tentou se levar a sério demais e pecou nos excessos. Vários personagens apareceram e, conseqüentemente, várias tramas (e reviravoltas) confusas e mal explicadas com diálogos que em alguns momentos me lembraram o arquiteto da matrix.

A aventura começa com os piratas, agora liderados pelo Capitão Barbossa (Geofrey Rush roubando a cena), em Cingapura tentando convencer o Capitão Sao Feng (Chow Yun-Fat, que pouco acrescenta à trama) a participar de uma “assembléia pirata” para defender os interesses da classe. O problema é que isso é só uma pequena parte da empreitada, pois os heróis (?) ainda terão que resgatar Sparrow do mundo dos mortos (isso mesmo) pois ele faz parte da confraria marítima que compõe a “assembléia”. Tudo isso pra fazer frente ao Lorde Beckett (Tom Hollander), que, de posse do coração de Davy Jones (Bill Nighy), o obriga a ajudá-lo na campanha de exterminar os piratas.

O filme mostra-se divertido quando apresenta o que tem de melhor: batalhas e bom humor, mas é justamente a necessidade de amarrar todas essas tramas que resulta em várias cenas enfadonhas e confusas. O diretor viu-se obrigado a criar diálogos confusos e várias reviravoltas desnecessárias, que resta ao espectador mais desatento se divertir com as (poucas e nem sempre tão boas) piadas enquanto aguarda a procrastinada (eu sempre quis usar essa palavra em algum texto meu) batalha final.

 

PIRATES OF THE CARIBBEAN: AT WORLD’S END, EUA, 2007. DE GORE VERBINSKI. COM JOHNNY DEPP, GEOFFREY RUSH, ORLANDO BLOOM, KEIRA KNIGHTLEY, JACK DAVENPORT, BILL NIGHY, TOM HOLLANDER, NAOMIE HARRIS, CHOW YUN-FAT, KEITH RICHARDS

Mulher Gato: parece brincadeira (de mau gosto)

Monday, May 14th, 2007

nota: 3,0

Mulher gato

A falta de sono em pleno noite de domingo, me levou a assistir um filme, que a muito tempo eu relutava graças às críticas negativas, que passava na bendita tv aberta: Mulher-Gato. Sinceramente? Até agora eu não entendo porque não mudei de canal ou simplismente tomei um calmante pra acabar com meu tormento. Talvez fosse o fio de esperança de que a Halle Berry (A Última Ceia) salvasse o filme com suas curvas. O pior é que nem ela aparece direito, pois em várias cenas é substituída por uma boneca digital muito mal feita.

Cenas de ação (se é que pode se chamar aquelas cenas menos paradas de: “cenas de ação”) de dar sono, efeitos especiais (?) ruins de doer e umas lutas sem coreografia em um roteiro rídículo (produto cosmético que se parar de usar corrói a pele, mas se continuar usando a transforma em mármore e elimina a sensação de dor? Fala sério.), tornam Mulher-Gato uma brincadeira de muito mau gosto. Vou até parar de falar a respeito para ver se esqueço.

A própósito, a nota: 3,0 é só para a beleza da Halle (ela até merecia nota melhor, mas aparece tão pouco), pois até sua atuação é risível. Indique apenas se quiser castigar alguém.

O Cheiro do Ralo: cinema independente de primeira

Sunday, May 13th, 2007

nota: 10,0

Esse olho é do meu pai!

Orçado inicialmente em R$ 2,5 milhões e finalizado, aos troncos e barrancos, com enxutos R$ 330 mil, “O Cheiro do Ralo”, baseado na obra de Lourenço Mutarelli, nos traz um Selton Mello (Lisbela e o Prisioneiro) despido de (quase) qualquer maneirismo numa atuação madura, segura e brilhante.

Selton interpreta Lourenço, um sujeito seco, rabugento e até cruel que se apaixona por uma bunda (isso mesmo) e cria uma obsessão pelo cheiro do ralo que emana do banheiro de sua loja de penhores.

Lourenço leva uma vida deprimente (retratada em tudo, até no andar sempre cabisbaixo do personagem) e egoísta, tratando todos ao seu redor da pior maneira possível. A graça do filme reside justamente na viagem pelo universo desse personagem ímpar que em determinado momento diz para sua noiva, “Eu não gosto de minha mãe, eu não gosto de você, eu não gosto de ninguém.”, com uma naturalidade absurda.

Com uma direção impecável de Heitor Dhalia (Nina), um roteiro repleto de humor negro (com a cara dos irmãos Cohen) embalado por uma trilha sonora contagiante (digna de Tarantino), “O Cheiro do Ralo” mostra que cinema de qualidade pode ser falado em bom português.

O CHEIRO DO RALO, BRASIL, 2006, DE HEITOR DHALIA, COM SELTON MELLO, PAULA BRAUN E LOURENÇO MUTARELLI

Homem Aranha 3: vilões (em excesso) “derrotam” o roteiro

Sunday, May 6th, 2007

nota: 6,0

Aranha negro

O medo de muitos fãs (e admiradores como eu) do “cabeça de teia” se concretizou: o excesso de vilões prejudicou a condução da trama. O diretor Sam Raimi (Homem Aranha 2) teve pouco mais de duas horas de projeção para trazer a tona o lado negro de Peter, mostrar como Harry reagiu ao fato de seu melhor amigo ter, supostamente, matado seu pai e ainda apresentar mais dois novos vilões. Quando começa a subir o letreiro, a sensação que fica é a de que o tempo não foi o suficiente para tantas histórias.
Depois de adquirir poderes e lidar com o stress de ser um supre-herói, Peter Parker (Tobey Maguire) agora colhe os louros da fama, que começa a lhe subir à cabeça, e tem que lidar com um concorrente no seu emprego e um novo interesse amoroso. Enquanto isso, o bandido Flint Marko (Thomas Haden Church) escapa da cadeia e acaba caindo no meio de uma experiência (a propósito, que experiência era aquela?) que o transforma no Homem-Areia e Harry Osborn (James Franco) resolve (sem mais nem menos) usar o soro de seu pai para se vingar de seu amigo.
Os efeitos continuam muito bem feitos (o Venom digital ficou muito legal) e as cenas de ação continuam empolgantes, mas com tantos vilões (quatro, se contar com o lado negro do herói), o diretor não conseguiu desenvolver nenhum dos personagens a contento. O Venom, por exemplo, vai acabar decepcionando os fãs por conta de sua curta participação. É louvável a tentativa do diretor de dar uma motivação aos atos Homem Areia, mas mais uma vez o curto tempo o impede de dar maior profundidade na história. Até uma “reviravolta”, que acontece quase no final do filme, soa forçada por não apresentar motivação convincente.
Com tão pouco tempo para aprofundar os arcos dramáticos, coube às cenas de comédia (e de ação) as melhores cenas do filme (com destaque para o sempre presente Bruce Campbell, dessa vez, no papel de um maitre francês). Divertido, porém descartável.
SPIDER MAN 3, EUA, 2007. DE SAM RAIMI. COM TOBEY MAGUIRE, KIRSTEN DUNST, JAMES FRANCO, L. K. SIMMONS, THOMAS HADEN CHURCH, BRYCE DALLAS HOWARD, TOPHER GRACE

Sin City: noir violento com estilo

Saturday, May 5th, 2007

nota: 10,0

Sin City

O diretor Robert Rodriguez (Pequenos Espiões) teve muito trabalho para convencer Frank Miller a vender os direitos de sua obra prima para uma adaptação cinematográfica. O resultado é um filme noir, violentíssimo que inventou uma nova forma de se fazer cinema cheia de estilo. Filmado exatamente como na HQ (história em quadrinhos) – em preto e branco e raramente usando cores – o longa é considerado, pelo próprio Rodriguez, uma tradução da graphic novel e não uma adaptação.

Cada uma das histórias é narrada por seu respectivo protagonista (as narrações, diga-se de passagem, são um atrativo a parte) que pouco a pouco nos apresentam o mundo corrupto, cínico e violento de Sin City.
O filme reúne três histórias cheias de personagens cruéis e secos. Na primeira (que retorna no fim do filme) temos o detetive Hartigan (Bruce Willis) – um policial a beira da aposentadoria – tentando finalizar um último caso: salvar uma garota de onze anos das garras de um assassino pedófilo que, para completar, é filho único do senador.
A segunda (e para mim a mais legal) é recheada de violência e frases de efeito proferidas aos borbotões pelo anti-herói em busca de vingança, interpretado por Mickey Rourke (9 e 1/2 Semanas de Amor), Marv. A história ainda traz Elijah “Frodo” Wood (O Senhor dos Anéis) muito a vontade na pele de um assassino canibal, frio e impiedoso.

Na última história Clive Owen (Filhos da Esperança) lidera um bando de prostitutas numa guerra, cuja tática utilizada lembra a Batalha das Termópilas de 300 (também de Frank Miller), para defender a “Cidade Velha” dos mafiosos e policiais corruptos.

Sin City Comic
Visualmente impecável, Sin City é uma revolução cinematográfica equiparada a Matrix. Totalmente feito com cenários digitais, o diretor parece ter dado vida ás páginas da HQ (e isso vale também para os personagens).
Os diálogos são de um humor negro visceral. Em uma determinada cena, o brutamontes Marv, após dar um soco e um tiro no estômago de um matador de aluguel para adquirir uma informação, diz: “Se continuar a esconder coisas de mim, vai me forçar a ser cruel.”. Esse diálogo dá o tom, sombrio e violento, desse que é o melhor filme baseado em quadrinhos. Para ser visto e revisto.

SIN CITY, EUA, 2005. DE ROBERT RODRIGUEZ E FRANK MILLER. COM BRUCE WILLIS, JESSICA ALBA, MICKEY ROURKE, RUTGER HAUER, BENÍCIO DEL TORO, CLIVE OWEN, ELIJAH WOOD, BRITTANY MURPHY

Arthur e os Minimoys: bonitinho, mas ordinário

Saturday, April 28th, 2007

Nota: 5,0

Arthur

Arthur é um garoto de 10 anos de idade que, para evitar a demolição da casa de sua avó, viaja a um mundo fantástico (a terra dos Minimoys) em busca de um tesouro. A animação é muito bem feita e até inovadora. As cenas de ação também são bem “dirigidas” e divertem. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do roteiro. Levando-se em conta que trata-se de um filme para um público mais infantil até podemos aceitar o fato de um garoto de apenas 10 anos resolver os problemas de adultos, mas o personagem não é desenvolvido a ponto de acreditarmos na sua capacidade de fazê-lo (o que me fez lembrar do também fraco “As Crônicas de Nárnia“). Esse é apenas um dos problemas do roteiro (ou seria da direção?), pois várias situações acontecem sem nenhuma explicação prévia, como o fato de um personagem detestar Arthur o tempo todo e de repente, sem nenhum sinal de que estaria mudando seu sentimento por ele, passa a adorá-lo. Ou o objetivo de uma missão secundária na qual ele se mete e que só é (mais ou menos) explicada na reta final do filme. O filme também não se decide qual público deseja atingir. Aparentemente direcionado ao público infantil, Arthur e os Minimoys apresenta algumas cenas de suspense um pouco pesadas para a molecada (o que não ocorre no divertidíssimo “A Casa Monstro“) e algumas piadas (fracas por sinal) mais apropriadas aos adolescentes.

ARTHUR ET LES MINIMOYS, FRANÇA, 2006. DE LUC BESSON. COM FREDDIE HIGHMORE (Arthur), MIA FARROW (Avó de Arthur), MADONNA (Princesa Selenia – voz na versão americana)

Os Supremos – o filme: diversão sem compromisso

Thursday, April 19th, 2007

nota: 7,0

supremos

Os principais heróis da Marvel se reúnem em uma aventura descartável, porém divertida. No longa, o General Nick Fury reúne em uma só equipe: Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Vespa, Homem Gigante, Viúva Negra e Hulk. O objetivo é combater uma raça alienígena que invadiu a Terra na segunda guerra.

Alguns fãs reclamaram a falta de linguagem adulta, crítica política e humor ácido que caracterizam a HQ que deu origem ao filme. Provavelmente esses elementos enriqueceriam a produção elevando-a a outro nível (muito mais interessante), mas a animação é muito melhor que uma enxurrada de produções despejadas nos cinemas nacionais (teoricamente) voltadas ao público infanto-juvenil.

O maior problema do filme é o não desenvolvimento dos personagens e a ação que demora um pouco para engatar. No entanto a sequência final é muito divertida e bem elaborada (com destaque para o “Gigante Esmeralda”). Enfim, se você não for um fã mais xiita vale a pena conferir.

Obrigado Por Fumar: argumentando-se bem, que mal tem?

Thursday, April 19th, 2007

nota: 9,0

thank’s

“Essa é a beleza da argumentação. Se argumentar bem, nunca estará errado.” Com essa frase Nick Naylor (Aaron Eckhart) resume o mote de Obrigado Por Fumar, filme escrito e dirigido pelo estreante em longas de ficção Jason Reitman. Naylor é o porta-voz das grandes indústrias do tabaco e seu talento é (como ele próprio diz) falar. Usando sempre argumentos que deixam seus “oponentes” sem respostas – e em alguns momentos até constrangidos – Naylor inverte o ditado popular “contra fatos não há argumentos” e apresenta o universo de seu trabalho para seu filho. Essa experiência faz com que ele reveja suas prioridades e sinta um pouco do seu próprio veneno.

O elenco de apoio faz bonito com J.K. Simmons (Homem Aranha) na pele de um chefe chato que sempre leva toda a fama e Cameron Bright (No Rastro da Bala) representando um garoto introspectivo e aparentemente afetado pela separação dos pais que com o desenrolar do filme vai se espelhando no pai e aprendendo a arte da argumentação. Maria Bello (The Cooler – Quebrando a Banca) deixa sua sensualidade de lado e encarna com vigor uma “dama de ferro” que representa as empresas de álcool e está sempre se encontrando com Nick no happy hour. A única ressalva é a Katie Homes (Batman Begins) sempre sem sal (não que ela esteja mal, mas não acompanha o restante do elenco), porém sem comprometer o resultado final.
Mas é Eckhart (Dália Negra) quem dá um show transpirando confiança na pele do protagonista. Usando de todas as artimanhas possíveis (a cena em que convence o “ex-garoto propaganda” da Marlboro é primorosa), Naylor é pago para ser odiado e manipular a população. E ele é bom nisso!
Com um roteiro bem amarrado, diálogos inteligentes e uma direção segura, “Obrigado Por Fumar” critica o capitalismo americano sem cair na armadilha de apresentar uma mensagem açucarada no final da projeção.

THANK YOU FOR SMOKING, EUA, 2005. DE JASON REITMAN COM AARON ECKHART, MARIA BELLO, CAMERON BRIGHT, J.K. SIMMONS, WILLIAM H. MACY, ROB LOWE, ROBERT DUVALL